Umbrella | Entrevista com a diretora Helena Hilario

Quando pensamos em curtas animados, a primeira empresa que nos vem à cabeça talvez seja a Disney/Pixar. O estúdio investe bastante nesse tipo de narrativa, seja pelos seus lançamentos junto com os longas, como aconteceu com Bao, ou iniciativas como o Sparkshorts e Short Circuit, disponíveis no Disney+.

Uma das premiações que mais dá visibilidade para essas histórias é o Oscar com a categoria Melhor Curta-Metragem de Animação, que em 2020 foi para Hair Love, da Sony Pictures Animation. O projeto de Matthew A. Cherry fez tanto sucesso que vai ganhar uma série no HBO Maxleia mais.

Em 2021, essa categoria do Oscar será ainda mais especial para os brasileiros, pois é a primeira vez que o país tem um curta animado qualificado para a premiação. Umbrella, dirigido por Helena Hilario e Mario Pece, é um projeto independente do estúdio Stratostorm e já passou por 19 festivais. De acordo com Helena, o resultado final só foi possível por conta do planejamento:

“Todas as etapas foram desafiadoras, começando por termos uma equipe super pequena, com limitações, e por termos decidido produzir o curta de uma forma independente. Tivemos muitos desafios técnicos e artísticos para fazermos o Umbrella um projeto único e especial, e fomos encontrando soluções ao longo do caminho. Uma produção independente requer bastante planejamento de produção, planejamento financeiro e estratégico, pois além dos desafios é também um risco. Muitas variáveis precisam funcionar em perfeita sincronia para o projeto dar certo.”

Na trama, acompanhamos Joseph, um menino que vive em um orfanato e, por memórias afetivas, sonha em ter um guarda-chuva amarelo. O roteiro foi escrito em dezembro de 2011 e é inspirado em uma situação vivenciada pela irmã de Helena:

“Ela foi até um Lar de Crianças para doar brinquedos e um menininho pediu por um guarda-chuva. Ela estranhou, pois o dia estava bonito e ensolarado, mas ele insistia. Quando ela finalmente concordou em levar, descobriu que ele tinha memórias afetivas muito duras e marcantes, e que de fato um simples guarda-chuva era muito importante para ele, muito mais do que poderíamos imaginar.”

A partir desse evento, Helena e Mario Pece, seu marido e companheiro de trabalho, decidiram escrever o roteiro, mas sem adaptar a história real. Segundo a diretora, a ideia era torná-la universal e mostrar a importância de escutar o próximo:

“Queríamos transformar essa dor em arte e levar uma mensagem de que não devemos julgar as pessoas sem conhecer a história e a batalha que cada um está passando, e que não devemos nos tornar pessoas ruins a partir de situações negativas que passamos na vida. Idealizamos, então, uma curta-metragem de animação sem diálogo. O desafio foi contar a história em oito minutos e encontrar os elementos certos na música, na animação, na direção de arte e no CGI em geral, que foram fundamentais para passar todos os sentimentos e emoções que estavam no roteiro.”

Helena trabalha com o marido desde 2010 e Umbrella foi o primeiro curta que dirigiram juntos. Ela conta que a experiência foi maravilhosa:

“Sempre trabalhei com pessoas criativas, mas sempre fiquei na parte de produção. Porém, tudo no projeto é muito pessoal, então o processo criativo foi muito colaborativo entre nós e todos os artistas e profissionais que colaboraram para trazer o projeto à vida. Está sendo um sonho poder levar essa mensagem tão bonita e de uma forma tão delicada ao redor do mundo. Temos muito orgulho dessa obra de arte que criamos, todos com muito comprometimento, dedicação e carinho.”

Umbrella será lançado oficialmente no dia 7 de janeiro, no YouTube, e ficará disponível até o dia 21 de janeiro.

Sobre o Autor /

Estudante de Publicidade, redator do Anime21, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype

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