O melhor da realidade virtual no Rio2C

O Rio2C – Rio Creative Conference aconteceu dos dias 3 a 8 de abril na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Além de música e audiovisual, outra coisa que chamou atenção foi a parte da “inovação”, que inclui a tecnologia VR (realidade virtual). Com ela, a partir de um óculos, o usuário se sente inserido em um ambiente virtual em 360º.

Seja em jogos ou animações, essa tecnologia esteve presente no evento através de cinco domos disponibilizados na Cidade das Artes. Além disso, painéis sobre o tema serviram para explicar a inovação para o público e discutir seu futuro. Entre eles estava o keynote “Realidade Aumentada Hoje e para Futuras Gerações“, apresentado pelo CEO da empresa Rewind, Solomon Rogers.

Ele abordou os diversos tipos de realidade virtual, projetos que estão em desenvolvimento, como Harry Potter: Wizards Unite (AR), e a acessibilidade para o público através de celulares com a tecnologia. Mesmo que o VR só exista há cinco anos, projetos incríveis já foram lançados, e tive a oportunidade de testá-los no Rio2C:

Arden’s Wake (Oculus Rift)

Mesmo que não seja um jogo ou conte com interatividade, vale a pena falar da experiência com Arden’s Wake, a animação do estúdio Penrose com direção e produção de Eugene Chung. Ao invés de assistir ao que está sendo exibido na tela, a sensação é de estar inserido na história. A partir dos movimentos do usuário é possível se aproximar dos personagens e prestar atenção em pequenos detalhes, pois a câmera são seus olhos. Na demo, é possível observar o fundo do mar e entrar na casa dos personagens, mas um dos melhores momentos é quando somos rodeados, de forma intimidadora, por um monstro.

Home (Oculus Rift)

Desenvolvido pela BBC, Home coloca o jogador na pele de um astronauta em uma estação espacial. O jogo conta com interação de objetos através dos controles, que funcionam como os braços do personagem. A imersão é tão incrível que pode assustar aqueles que têm medo de altura, passando a sensação de não haver chão. Um dos melhores momentos é quando o astronauta controlado pelo jogador sofre um acidente e chega a rodar diversas vezes no espaço, causando tontura (no bom sentido).

Ghost in the Shell (Oculus Rift)

Baseado no filme lançado no ano passado, inspirado no anime homônimo, Ghost in the Shell ganhou um jogo VR. Neste caso, a experiência coloca o usuário dentro de uma cena do filme, podendo explorar a ação em 360º. Não é possível interagir, apenas assistir, permitindo deixar a câmera mais lenta. Talvez fosse mais interesse explorar a icônica cena em que a protagonista Major pula de um prédio, mas acompanhar um filme em VR, mesmo que seja uma pequena parte, ainda é uma boa experiência.

VR Worlds – London Heist (Playstation VR)

Já na linha PSVR, um dos principais títulos – que inclusive é vendido junto com o aparelho – é VR Worlds, que conta com cinco jogos. Tive a oportunidade de testar London Heist, mais especificamente um estande de tiro ao alvo. Mesmo sem ter personagens reais ou poder se mover pelo ambiente, o jogo conta com detalhes interessantes que permitem a imersão do usuário. Uma delas é o fato de que é preciso recarregar a arma manualmente. Além disso, a dublagem em português funciona bem e cria uma maior familiaridade.

Until Dawn: Rush of Blood (Playstation VR)

Ainda no PSVR, o jogo de terror Until Dawn recebeu uma versão VR, que coloca o jogador dentro de um trem-fantasma em um circo dos horrores. O jogo entrega tudo que promete, com centenas de alvos durante o “passeio” e a sensação do usuário realmente estar em movimento. Além disso, também há personagens que se movem em sua direção e obstáculos a serem destruídos para permitir a passagem do carro. Por fim, não poderiam faltar muitos sustos e um ambiente de terror, uma marca registrada do jogo original, mas agora em 3D e de todos os lados.

The Inpatient (Playstation VR)

Lançado em janeiro deste ano, acredito que The Inpatient foi um dos jogos mais recentes que estavam disponíveis no evento. Ele começa de forma bem simples, respondendo as perguntas de um personagem clicando no PS Move esquerdo ou direito. O mais interessante é que seu personagem está amarrado em uma cadeira e seus braços se movimentam, ainda presos, conforme o movimento dos controles.  Em seguida, somos transportados para um sanatório em uma cadeira de rodas.

A interação com os personagens é orgânica, e a dublagem faz diferença. Por outro lado, a movimentação do personagem através do clique de um botão e não pela movimentação do usuário tira um pouco da sensação de imersão. Porém, a história é modificada conforme suas ações e parece ser bem intrigante.

Arkave (Vive)

Uma das experiências mais imersivas do evento é o jogo Arkave, um FPS futurista diferente de tudo que já foi feito. Nele, o jogador pode se movimentar pelo ambiente e atirar nos inimigos ao lado de mais dois amigos. Este foi o jogo que mais passou a sensação de que somos transportados para um ambiente virtual, onde todas as suas ações e movimentos interferem na jogabilidade. Só o fato de caminhar pelo cenário conforme na vida real já é um avanço e tanto.

Qual é o melhor aparelho?

Entre os três aparelhos de realidade virtual testados, o Oculus Rift se apresentou como o mais leve e flexível de todos, sem pesar na cabeça e com uma boa solução para o áudio. Por outro lado, o PSVR foi o mais pesado, além de fones soltos e não acoplados ao aparelho, mas é inegável o fato de que os melhores jogos estão sendo desenvolvidos para ele. Já o HTC Vive se mostrou o mais incômodo de todos. Não necessariamente pelo óculos em si, mas sim por ter que usar uma mochila para controlar seu personagem no jogo Arkave  (não necessariamente todos os jogos para este aparelho precisem usar uma mochila nas costas).

Além disso, este título é um dos mais complicados de ser reproduzido em casa, por exemplo, por precisar de muito espaço para jogar (e pelo menos mais uma pessoa para equipar o jogador). Os títulos do PSVR foram jogados sentados e do Oculus Rift em pé, trazendo mais conforto para ser replicado em outros ambientes que não sejam eventos.

Apesar do avanço desta tecnologia, ainda é difícil imaginar seu uso doméstico, seja pelo preço ou pelo espaço requerido. Porém, a imersão que a realidade virtual promete já está em prática de diferentes maneiras e sendo exploradas em diferentes gêneros, para todos os tipos de jogadores.

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