Ranking | Os melhores filmes do Universo Estendido DC

A espera acabou: Liga da Justiça finalmente chegou aos cinemas.

Após 4 filmes, o Universo Estendido DC conseguiu estabelecer sua maior equipe, ainda que a estrada tenha sido agitada. Muitos críticos e fãs desaprovam o caminho pelo qual a Warner tem guiado os personagens, gerando altas discussões em rodas de amigos, mesas de jantar e, é claro, fóruns de Internet. Ame ou odeie, o Universo Estendido DC veio para ficar, com futuros projetos marcados para até 2020.

Para comemorar o lançamento de seu mais recente filme, a redação do Trem do Hype entrou num consenso para montar um ranking dos filmes deste universo cinematográfico.

Esquadrão Suicida (2016)

Direção: David Ayer

Ao contrário de seu protagonista, o Pistoleiro, este filme atira para todos os lados e erra fatalmente.

Esquadrão Suicida já estava causando desde seus primeiros trailers, apresentando personagens B do Universo DC (muito antes de apresentar alguns A) e um Coringa todo tatuado. Na época, podia se dizer muita coisa da ideia, menos que não era promissora. Afinal, um filme sobre um grupo de super-vilões que realiza missões perigosas ou sujas demais para os mocinhos é diferente de tudo que tínhamos visto no gênero até então.

Mesmo com isso em mãos, a Warner optou por uma abordagem semelhante a tudo que tínhamos visto no gênero até então, com direito a seus piores clichês, como uma vilã inexplicavelmente super-poderosa e o bendito feixe de luz no céu.

Claro que nada disso seria um problema se o roteiro ao menos funcionasse num nível básico. Mas, infelizmente, o roteirista e diretor David Ayer não compreendeu nenhum dos personagens ali dispostos. Os que mais sofrem com isso são o casal Coringa e Arlequina, interpretados por dois grandes atores (Jared Leto e Margot Robbie), mas que não conseguem deixar uma boa impressão com as falas expositivas e pobres. Bom, Robbie ao menos fez o dever de casa e conseguiu imitar muito bem a personagem, mas certos problemas, como a romantização do relacionamento abusivo com o Coringa, não puderam ser revertidos pela sua competência.

O mesmo acontece com o restante do elenco. Will Smith carrega o seu usual carisma como o Pistoleiro, Jay Hernandez tem uma carga dramática convincente como El Diablo e Jai Courtney está estranhamente bem no papel do excêntrico Capitão Bumerangue. Porém, na hora de integrá-los a uma família de desajustados, nada funciona. Não há nada mais broxante do que ver supostos criminosos reforçando constantemente como são “malvados”, e acompanhar um crescimento de uma relação afetuosa forçada, entre indivíduos que mal tiveram tempo de tela para se conhecer.

Enfim, há muito para se reclamar deste filme. Os pontos que salvam são a premiada maquiagem e a caracterização de Amanda Waller, interpretada vigorosamente por Viola Davis. Quanto ao resto, bastava que o estúdio fosse menos megalomaníaco e fizesse uma adaptação literal da animação Batman: Ataque ao Arkham (2014), que os fãs ficariam muito mais satisfeitos (e, possivelmente, os críticos também). Ou que deixasse David Ayer executar sua visão com total liberdade criativa, porque, convenhamos: não é preciso ser nenhum gênio da sétima arte para notar a diferença entre o primeiro trailer da Comic-Con de 2015 e o produto final. As extensivas refilmagens meio que confirmam a interferência do estúdio, que, visivelmente, não ajudou muito.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016)

Direção: Zack Snyder

Por um lado, temos algumas das melhores sequências filmadas no gênero de Super-Herói, como a do Batman caindo na mão com os capangas de Luthor num galpão, o pesadelo no deserto e até mesmo a polêmica briga entre o Cavaleiro das Trevas e Superman.

Por outro, temos um roteiro completamente inconsistente, em termos de motivação, desenvolvimento e fidelidade dos personagens. Afinal, o Batman mata ou não? Se mata, por que quase cede em momentos mais pontuais? E o Superman? Ele consegue ouvir gritos de socorro a partir de longas distâncias, ou não? Se sim, por que não percebe que sua mãe foi capturada pelos capangas de Luthor?

O que nos leva ao famigerado momento envolvendo Martha… Acho que o problema desta cena não é o que ela está tentando comunicar, mas, sim, como o faz… Se o diretor Zack Snyder se propôs a contar uma história um pouco mais realista quanto às consequências dos eventos apresentados, como esperar que o público engula uma desculpa tão esfarrapada para encerrar uma briga? Até acho que não era a proposta inicial de Snyder (como a fantasiosa e metafórica sequência dos créditos iniciais dá a entender), mas aí faltou a definição de que tipo de história ele pretendia contar.

Isto, sem mencionar as inúmeras conveniências do roteiro (nem vou mencionar o email com os logos dos heróis da Liga) a fim de trazer momentos icônicos dos quadrinhos de maneira rasa, ou pouco condizente com o resto do filme, para dizer o mínimo. Não falo só da briga entre Batman e Superman que, apesar de muito bem executada, não tem nada a ver com o contexto em que está inserida (se Superman está tão desesperado para salvar a mãe, por que passa tanto tempo medindo forças com o Batman?). Falo também (e principalmente) da introdução apressada de Apocalypse, simplesmente para matar Superman, na adaptação de um de seus momentos mais marcantes. A  Morte do Superman merecia um filme inteiro, e não uma sequência final que mais se assemelha a uma cutscene de um jogo de PS3.

Enfim, há muito para se gostar, ou detestar aqui. Mas o fato do encontro entre dois dos personagens mais importantes da cultura pop falhar em diferentes níveis, no que deveria (ou poderia) ter sido uma simples e empolgante história de vingança e redenção, justifica seu lugar nesta lista.

O Homem de Aço (2013)

Direção: Zack Snyder

Muitas críticas podem ser feitas a Zack Snyder, mas falta de originalidade não é uma delas. Certamente, foi preciso muita coragem para executar sua visão em O Homem de Aço.

Após décadas vendo o clássico Superman escoteiro de Christopher Reeve, é fato que apresentar um Superman jovem, irresponsável e completamente deslocado seria um desafio.

Mas ter uma proposta ousada não garante à produção o título de “obra-prima”. Ainda há questões básicas de roteiro das quais o filme não dá conta. Um exemplo mais notável é todo o conflito moral induzido pelo pai adotivo, Jonathan Kent. A questão do mundo estar preparado, ou não, para ter uma figura divina como um Superman. Esta ideia, muito cara a Zack Snyder, é, de fato, interessante. O problema é que, por vezes, esta é completamente ignorada.

Ora, ele deixa de resgatar o próprio pai para preservar seu segredo, mas perde todo este cuidado ao se vingar de valentões no bar, ou lidar com valentões alienígenas? Muitas desculpas plausíveis poderiam ser elaboradas para justificar estes descuidos, mas o fato é que o filme não apresenta isso.

A verdade é que isto só fica notável porque, assim como Ícaro (ou Kal-El), o filme voou muito próximo ao Sol. Próximo demais para não se garantir em questões mais básicas. Mas Homem de Aço ainda funciona como um bom filme de ação/ficção científica, com suas cenas de ação à la Dragon Ball Z e seu desenho de produção… bom… diferente de tudo que tínhamos visto até então (talvez com algumas influências de Avatar e do Superman de 1978).

Ah, e não podemos falar sobre o filme sem citar o incrível desempenho de Michael Shannon como Zod, que é, de longe, o melhor vilão do DCEU. Sua motivação é completamente compreensível e sua presença, intimidadora. A atuação de Shannon só enfatiza estes aspectos.

Liga da Justiça (2017)

Direção: Zack Snyder

Liga da Justiça já está de parabéns por realizar a difícil tarefa de introduzir tantos personagens diferentes no terreno pantanoso que era o DCEU, até então. Mas o filme consegue realizar mais do que isso, uma vez que nos faz realmente gostar dos heróis (pelo menos da maioria) e nos empolgar para suas futuras aventuras individuais.

O roteiro de Chris Terrio e Joss Whedon compreende perfeitamente a essência da maioria deles. Quando não, ao menos abre espaço para uma evolução. Para ser mais específico, é o caso do Barry Allen de Ezra Miller, que além de exagerado, não lembra em nada o dos quadrinhos. Mas o Batman, a Mulher-Maravilha, o Ciborgue e (principalmente) o Superman estão exatamente da maneira que foram idealizados (ou “reidealizados”) nos quadrinhos, trazendo satisfação para qualquer fã raiz destes personagens. Ah, e o Aquaman de Jason Momoa está surpreendentemente maneiro (apesar da versão “Super-Amigos” dele ser sensacional também).

As sequências de ação de Zack Snyder também não decepcionam, desde a tensa corrida das Amazonas, a um marcante confronto entre Superman e Flash, que dá sentido a um de seus recursos favoritos: a câmera lenta.

Se não fosse pelo desenvolvimento apressado da trama e um vilão que, literalmente, enfeia toda cena em que aparece, Liga da Justiça seria facilmente o primeiro colocado nesta lista. Mas como não é o caso…

Mulher-Maravilha (2017)

Direção: Patty Jenkins 

Taí o filme que nossa sociedade precisava, mas não merecia até então. Talvez ainda não mereça, mas quem liga? Mulher-Maravilha é tão emblemático e poderoso quanto deveria ser, arrepiando até o mais frio dos fãs, em seus melhores momentos.

E não é só por ser o primeiro grande filme protagonizado por uma super-heroína (sim, já estamos em 2017), mas por tudo que ele coloca em jogo. Toda a discussão que é trazida sobre a cultura da guerra e o poder da mulher é necessária e refrescante num filme do gênero. Nenhuma cena exemplifica melhor tudo isso do que a “No Man’s Land”, com a execução perfeita de Patty Jenkins e a impactante música de Rupert Gregson-Williams.

As conversas de Diana com Steve Trevor (competentemente interpretado por Chris Pine) e seus pequenos atos de transgressão também adicionam muito ao debate, e não de maneira expositiva ou superficial, mas elegante e afiada, como o Cinema deveria ser.

Pena que os realizadores se esqueceram disso na batalha final contra o Ares. Se não tivessem revertido a decisão de acabar com a inocência de Diana e torná-la mais incrédula quanto à bondade dos humanos, o longa terminaria em nota alta. Infelizmente, preferiram fazê-la acreditar no poder curador do amor e jogá-la numa artificial cena de ação contra um personagem de desenho animado.

Bom, nem tudo é perfeito, mas ao menos Mulher-Maravilha fez o suficiente para deixar uma marca positiva, não só na história da DC, mas também na Sétima Arte.

Sobre o Autor /

Formado em cinema, amante de quadrinhos e produtor de conteúdo para o Trem do Hype

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